As vantagens auferidas por grupos de empresas reunidas em torno de objetivos e valores comuns tornaram-se fator motivador para o associativismo, ao promover economia de escala, aumentos de produtividade e redução dos custos de produção. No caso do setor joalheiro, têm sido vários os exemplos de associativismo de sucesso nas atividades econômicas - industriais, comerciais e de serviços.
Frequentemente, tais “distritos” são denominados “arranjos produtivos locais (APL)” e definidos como “aglomerados de agentes econômicos, políticos e sociais, localizados em um mesmo território, que apresentam, real ou potencialmente, vínculos consistentes de articulação, interação, cooperação e aprendizagem.[1][1]” De acordo com os Ministérios de Ciência e Tecnologia (MCT), de Desenvolvimento da Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e da Integração Nacional (MI) a percepção atual é de que são necessárias ações orientadas para a constituição e fortalecimento de APLs no Brasil, visando ao fortalecimento da cooperação e do aprendizado para a inovação.
O Pólo de Joalheria da Região Metropolitana de Belo Horizonte, objeto de proposição do SINDIJÓIAS-GEMAS/MG, é considerado uma iniciativa consentânea com os “distritos industriais” e com os APL, sendo constituído por uma associação de empresas afins, localizada num mesmo espaço físico, funcional e seguro, com arquitetura padronizada e flexível, produzindo, direta ou indiretamente, para uma determinada categoria de consumidor final.
Os participantes do pólo industrial compartilham uma série de valores e um conjunto de conhecimentos importantes para sua área de atuação, compondo um sistema em que predomina a cooperação tendo em vista a obtenção de ganhos decorrentes de aumentos de produtividade e da melhoria da qualidade dos produtos.
Diversos são os fatores responsáveis pelo êxito dos distritos industriais joalheiros implantados: cooperação, confiança, especialização e integração produtiva, terceirização e sub-contratação, entre outros, gerando uma eficiência coletiva mais elevada do que em outros processos de organização produtiva.
O sistema SINDIJÓIAS/AJOMIG concentrou seus esforços no planejamento estratégico das ações a serem empreendidas
A concepção do Pólo Joalheiro da RMBH vem sendo desenvolvida pelo SINDIJÓIAS GEMAS / AJOMIG, com apoio do Instituto Euvaldo Lodi – IEL, do sistema FIEMG. A motivação para esta iniciativa é a expectativa de obtenção de benefícios econômicos e sociais concretos: a agregação de valor às matérias-primas de Minas Gerais, o resgate da tradição mineira no setor, a consolidação da sua atividade joalheira, ampla formalização de atividades frequentemente à margem do mercado, minimização dos efeitos da redução na demanda internacional de jóias e, ao mesmo tempo, a maximização das possibilidades de exportação das empresas mineiras.
O APL de gemas e jóias existente na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) congrega empresas mineiras envolvidas com pelo menos 80% da produção do setor no Estado, considerando seu inter-relacionamento com os produtores e lapidadores de gemas atuando em grande número de municípios.
Tendo em vista fortalecer e promover o desenvolvimento do setor
Minas Gerais possui longa tradição no ramo de gemas e jóias, mas vem apresentando baixo dinamismo quando comparado com outros Estados da Federação. Para reverter esse quadro, o Pólo de Joalheria deverá contribuir para a dinamização empresarial do setor em MG, por meio da introdução do modelo do associativismo entre empresas de joalheria, inclusive com o compartilhamento de infra-estrutura técnico-produtiva e de prestação de serviços especializados. Com a demonstração dos seus benefícios e a disseminação desse modelo
* o fortalecimento das micro e pequenas empresas do setor,
* a geração de empregos e o desenvolvimento econômico e social de municípios com baixo e médio nível de renda,
* a redução da atividade informal no setor,
* o aumento do valor agregado dos produtos,
* o aumento da geração de divisas e
* o desenvolvimento da área de serviços técnicos para o setor de gemas e jóias – design, treinamento e formação de pessoal, certificação, etc.
O efeito demonstrativo do projeto deverá incentivar a disseminação de investimentos coletivos em outras regiões de Minas Gerais com vocação para a produção de gemas e jóias – principalmente nas regiões pobres e estagnadas como o Vale do Jequitinhonha – Mucuri, o Rio Doce e o Norte de Minas Gerais, onde a extração e beneficiamento mineral constituem atividades importantes.
1. Características do Pólo de Joalheria da RMBH
O Pólo de Joalheria da RMBH terá as seguintes características:
a) empreendimento a ser conduzido por “associação” de empresas, sendo parte das instalações e dos equipamentos produtivos compartilhados entre as 20 indústrias participantes;
b) localização do Pólo no município de Nova Lima/MG, em área com cerca de 28 mil metros quadrados cedida pela AngloGold Ashanti;
c) as instalações de uso comum incluirão:
* auditório com capacidade para cerca de 100 pessoas;
* cozinha e restaurante para os funcionários do Pólo de Joalheria;
* creche;
* área de lazer;
* show-room;
* recepção;
* central de segurança;
* heliporto;
* administração do Pólo (prefeitura).
d) o Centro de Tecnologia de Produção incluirá:
i. setores dedicados
fundição;
* purificação de metais;
* modelagem;
* prototipagem rápida;
* centro de maquinários de uso comum (estamparia, laminador, etc.).
ii. setores transversais
* laboratório de análise de metais;
* ferramentaria;
* tratamento de gemas;
* núcleo de design;
* centro de treinamento;
* documentação e informação;
* área de armazenagem;
* central de serviços (serviços informatizados, exportação, compras, etc.);
* incubadora de empresas.
e) instalações individuais da empresas participantes.
As instalações próprias de cada empresa terão área variável, conforme a necessidade de cada uma. Estima-se que a área própria construída pelas empresas totalizará cerca de
Duas unidades vinculadas ao Pólo de Joalheria deverão ser situadas fora da área de produção, mas a pequena distância de suas dependências: um Laboratório Gemológico, prestando serviços de análise, identificação e certificação de gemas e a Escola de Joalheria do SENAI. A instalação dessas duas unidades fora das dependências do Pólo de Joalheria é devida ao grande trânsito que nelas ocorre de pessoas não relacionadas às atividades industriais das empresas.
Estima-se que os investimentos a serem realizados na implantação do Pólo de Joalheria cheguem a cerca de R$ 22 milhões.
Empresas que Aderiram ao Projeto do Pólo de Gemas e Jóias da RMBH:
Até o presente foram 30 empresas sendo 24 de MG, 4 de SP e 2 do RJ. ______________________________________________________[1][1] Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT)
